Sobre o comparecimento obrigatório de Universitários às aulas...
Imagem de Nikolay Georgiev por Pixabay

Olá pessoal, tudo bem?

Hoje gostaria de dar continuidade e finalizar (por ora) a abordagem da postagem "Concurseiro, cuidado com a faculdade de Direito que irá escolher, ela pode te atrapalhar!" e anteriores sobre o assunto, desta feita, com foco na problemática da presença em sala de aula.

Mais uma vez, gostaria de enfatizar que esse tipo de abordagem é apenas minha interpretação do que vivi, até o momento, no âmbito universitário, bem como do que inferi dos conselhos de diversos aprovados em concursos públicos que começaram a estudar, para concursos, já na faculdade.

Mas, afinal, assistir às aulas é a melhor forma de aproveitar a faculdade e/ou estudar para concursos?

Primeiramente, sei que o tema é polêmico e não pretendo, de forma alguma, minimizar o papel do professor no aprendizado, mas, acho que as instituições de ensino não deveriam focar tanto na obrigatoriedade da presença em sala de aula, mas sim, na aferição do conhecimento do aluno.

Muito se comenta na sociedade, em especial, no âmbito jurídico, sobre a qualidade do ensino no país, principalmente quando boa parte dos bacharéis em direito não conseguem aprovação no exame de ordem. 

Essa problemática, frequentemente, é focada na suposta ausência de qualidade do ensino das faculdades particulares de menor renome, porém, a maioria dos que postulam pela redução dos cursos, por conta de suposta má-qualidade, desconsideram, quase que completamente, o seguinte:

"É o aluno que faz a faculdade"

Em tempos remotos (ou nem tão remotos assim), era muito difícil obter conhecimento. Muitos jovens de hoje não fazem ideia o quão difícil era obter informações sobre determinado assunto. Atualmente, por exemplo, caso o aluno queira assistir palestras jurídicas, não faltam opções na internet, caso queira assistir audiências, não faltam opções na internet...caso não tenha dinheiro para pagar cursinhos, não faltam opções gratuitas na internet... além disso, livros digitais, com custos reduzidos, estão disponíveis para leitura, seja por meio de bibliotecas digitais disponibilizadas pelas próprias universidades, seja por meio dos livros disponíveis na Amazon e/ou Hotmart, por exemplo.

Mas, o detalhe está logo acima: "caso queira".

Isso mesmo, ao meu ver, o maior problema do ensino superior nas ditas "faculdades ruins", é o desinteresse do aluno em buscar informações, ou seja, quando o mesmo fica, apenas, no que lhe é repassado em sala, sem se aprofundar nos assuntos.

Alguém pode até dizer: "Ah, mas meu professor não ensina direito, não tem didática".

Meu caro, você não pode depender do professor para "enfiar" conhecimento em sua cabeça. O papel do professor, na minha humilde opinião, é facilitar o aprendizado, indicando caminhos, facilitando a introdução do assunto. Além disso, como em toda profissão, teremos profissionais que exercerão bem o seu papel e outros "nem tão bem assim".

Ocorre que muitas pessoas poderão dizer que os índices de aprovação, por exemplo, no exame de ordem, dos alunos oriundos das renomadas faculdades (públicas e particulares) é prova da baixa qualidade das demais instituições que não obtiveram tal êxito com seus alunos.

Porém, quem postula a afirmação acima desconsidera (ou finge desconsiderar) que os alunos que ingressaram em uma Universidade pública ou em uma particular concorrida, "sofreram" muito, pois tiveram, em regra, de estudar muito para ingresso na Universidade, o que já não ocorre com as demais. 

Ou seja, alunos de Universidades públicas e particulares concorridas, são alunos que já "aprenderam a aprender", seja por conta do ensino durante o colegial, seja por que aprenderam sozinhos "como aprender". Em suma, independentemente do ensino que terão na universidade, tais alunos, em regra, saberão suprimir eventuais lacunas no conteúdo ministrado, de acordo com seus objetivos.

A mesma lógica se aplica a suposta "superioridade" de alunos dos colégios de formação militares, por exemplo, pois, independentemente do conteúdo ali ministrado, são alunos que já passaram por um filtro enorme para ingresso naquela instituição de ensino, ou seja, sabem estudar.

Então, ao meu ver, o principal motivo para que alunos de Universidades públicas e particulares concorridas se destaquem, seja no mercado de trabalho, seja em exames e concursos, é:

"É o aluno que faz a faculdade"

E, mais uma vez, a afirmação acima é fruto da análise dos relatos de diversas pessoas que já estudaram em tais instituições. Além disso, apesar de cursar direito em Universidade particular não concorrida, já fui aprovado e estive em sala de aula de uma Universidade Federal, no curso de Física, onde pude constatar que se eu, realmente, quisesse aprender, teria de correr atrás e não me ater, somente, às aulas.

Assim, retomando o ponto final da última postagem e início desta, acredito que se as entidades de classe, legisladores, instituições de ensino, etc, queiram, realmente, que os alunos consigam êxito em exames, concursos e na aprendizagem em geral, deveriam incentivar, cada vez mais, que os alunos busquem o conhecimento e não fiquem, apenas, passivamente, assistindo aulas, principalmente, aulas teóricas. Não aulas práticas, obviamente, não se aplica esse princípio, pois a prática, por si mesma, é uma atividade ativa.

Desta forma, ao meu ver, determinadas "forçadas de barra", para que o aluno seja obrigado a estar em sala, acabam por causar o efeito contrário, acabam por desestimular o aluno. Acredito que, sim, a Universidade DEVE aferir o conhecimento do aluno para aprová-lo, mas, obrigá-lo a estar presente na maioria das aulas, mesmo quando o aluno não o quer, seja por qual motivo for, é fingir se importar com o aprendizado.

Vou dar um exemplo bem bizarro, ocorrido comigo na Estácio - Campus Conceição, conforme mencionei na última postagem.

Imagine que você curse uma disciplina (no meu caso, era direito do trabalho) e, mesmo não simpatizando muito com a matéria (meu caso), você consiga a nota para aprovação ao fim do semestre. Agora, imagine a situação de um professor que, mesmo tendo ministrado todo o conteúdo do semestre, mas que, pelo "calendário", ainda tenha "dias de aula" e que as utilize para aplicar provas de "recuperação" aos que necessitarem.

Ok, você pode estar pensando que os demais alunos - os que já estavam aprovados -, estariam dispensados do comparecimento, certo?

Errado! O Professor disse que faria a chamada normalmente e o aluno que não comparecesse, e ultrapassasse o limite máximo de faltas permitidas no semestre, seria reprovado por falta! Isso mesmo, por falta, mesmo não tendo mais aulas (conteúdos) e já tendo nota para aprovação!

Então, diante dessa intransigência (da instituição e/ou do professor, e/ou da legislação do MEC) desnecessária para o aprendizado, fomos, eu e minha esposa, para a instituição. Acordamos cedo, pegamos trens e metrôs lotados (como de costume) para chegar em sala, apenas para falar "presente" ao professor, para, aí sim, sermos dispensados e podermos voltar para casa. 

Bem, quem conhece a dinâmica da Capital Paulista e do acesso para quem mora nos arredores (meu caso), sabe o quanto é difícil e cansativo o deslocamento, principalmente, nos horários de pico (caso das aulas).

Então, ao invés de descansar, ou estudar, ou assistir séries, ou nos prepararmos para um concurso, etc, etc, etc (a decisão deveria ser do ALUNO), tivemos que nos deslocar e perder o dia só para falar "presente" ao professor. E, não, não era exclusividade dele, ocorreu a mesma coisa em outra disciplina, com outra professora, só que com menos intensidade, mas, ocorreu. 

E, não, não deve ser receio do aluno ter presença registrada sem estar na faculdade, podendo, por exemplo, estar cometendo algum ilícito por aí no horário das aulas, pois, nos casos acima, fomos até a Universidade para ganhar presença das aulas de todo o período matutino, mas, ficamos pouquíssimo tempo antes de sermos liberados... ou seja, no restante do tempo, já não estávamos em sala e estávamos com presença registrada...

Assim, essa política da Estácio - Campus Conceição, ainda que "justificada" pelas normas do MEC, com relação às faltas, principalmente, faltas de fim de semestre, me motivaram, e muito, a deixar a instituição. Claro, não foi o único motivo, tive dissabores, também, com ofertas não cumpridas para transferência, além da excessiva discricionariedade que a instituição dá ao professor para elaborar as provas, o que pode ajudar em alguns casos, porém, são um "pesadelo" com determinados professores, mas, tais problemas não são o foco da postagem, podem ficar para uma próxima.

Desta forma, ao meu ver, nas Universidades, a presença em aulas teóricas deveria ser facultativa, ou seja, acredito, sinceramente, que o aluno tenha direito às aulas, mas, não vejo motivos para obrigar o aluno a estar em sala quando este não julgar ser o melhor naquele momento, seja por qual motivo for.

"Ah, mas, se não obrigar, o aluno não vai e não estuda em casa"...

Confesso, já ouvi isso e, sinceramente, discordo com veemência dessa afirmação! Quem não tem interesse no aprendizado não aprenderá na sala de aula, na biblioteca, em casa, ou em qualquer outro lugar. A afirmação acima só é válida para menores, já para adultos capazes, soa como deboche para aqueles que, realmente, se preocupam com seu futuro.

Então concurseiro, aí vai uma dica objetiva. Sabe aquela aula que o Professor fica contando "causo"; que fica lendo slides; que coloca vídeos de uma hora para assistirmos; que manda pesquisarmos determinada coisa, durante metade da aula, sem qualquer conexão com a continuidade da mesma....então, para esses, e muitos outros casos improdutivos, a melhor saída é a: biblioteca ou sala de estudos! 

Esteja presente em sala no momento da chamada, para ganhar presença, mas, analise a situação da aula, se notar que, se estivesse resolvendo questões de concursos, revisando flashcards, relendo seus resumos, etc, seria mais produtivo para seu aprendizado que estar naquela aula, "fuja" para a biblioteca ou para a sala de estudos, retorne para a chamada, pois tempo é o bem mais precioso para um concurseiro. Por isso, carregue consigo materiais de estudo, principalmente, de revisão.

Para finalizar, enfatizo novamente que, ao meu ver, sim, o aluno tem direito às aulas, já a Universidade tem o direito e o dever de aferir o conhecimento dos alunos, antes de lhe conceder um diploma, mas, obrigar o aluno a estar de corpo - mesmo que não de alma -, em uma sala de aula, quando o mesmo não desejar, é contribuir para o insucesso do aprendizado. Espero, sinceramente, que a mentalidade e regulamentação atual, um dia, sejam revistas para adultos universitários....

Já para crianças, aí sim, temos uma situação completamente diferente, a qual até gostaria de dar uns pitacos sobre o assunto, mas, fica para uma próxima!

Grande abraço!